21/05/2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, por um lado, permite agrotóxicos venenosos que adoecem e matam nossas crianças e, por outro lado, proíbe a maconha medicinal que traz cura e fortalece o organismo dos seres humanos.
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, por um lado, permite agrotóxicos venenosos que adoecem e matam nossas crianças e, por outro lado, proíbe a maconha medicinal que traz cura e fortalece o organismo dos seres humanos.
Chuva de agrotóxicos em Lucas do Rio Verde (2006)
Pulverização aérea em escola de Rio Verde (2013)
Contaminação Shell-Basf Paulínia
Desastre de Bhopal (1984)
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é uma agência reguladora nacional. O papel das agências reguladoras é garantir o interesse público do cidadão fiscalizando a qualidade e a sanidade dos produtos disponíveis no Brasil. Sua missão é proteger a saúde pública por meio do controle sanitário de produtos e serviços.
Afim de melhor compreender a atuação da agência e colaborar para a superação de seus limites, nos perguntamos: O trabalho da Anvisa está sendo bem executado no Brasil?
Para nós essa é uma questão simples de ser respondida. A atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é sabidamente contraditória e pois a agência favorece o desenvolvimento de modos de produção artificiais que vem destruindo rapidamente a cultura e os ecossistemas brasileiros ao mesmo tempo que proíbe modos de produção artesanais, manuais e orgânicos. Podemos constatar tal afirmação considerando que:
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) permite, autoriza e reforça o uso de agrotóxicos nocivos à saúde humana há 27 anos. Graças a falta de cuidado e zelo dos responsáveis pela avaliação sanitária dos produtos químicos utilizados no cultivo de alimentos, nosso país vem se especializando numa agricultura que devasta e adoece nosso ecossistema e a nossa população. Vivemos nos últimos anos no Brasil um crescente adoecimento das nossas crianças com um aumento vertiginoso dos transtornos psiquiátricos e psicológicos. A saúde da população brasileira está fragilizada com surtos de doenças respiratórias, diabetes, câncer, obesidade e outros. Por que estamos nessa situação?
Amplamente classificados como venenos e proibido em países como México, Vietnã, Reino Unido, Alemanha, Portugal, Suíça, França, Austrália e Canadá os agrotóxicos a base de atrazina, glifosato, alaclor, mancozebe, acefato, entre outros, são autorizados no Brasil e tem sua comercialização permitida e regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Essa permissão para utilização de venenos pesados no Brasil merece atenção de nossa população.
O relaxamento da ANVISA com a fiscalização e teste desses agrotóxicos trouxe consequências para nosso país que impactam diretamente na qualidade de vida do Brasileiro. Nas últimas décadas o Brasil se tornou o país do mundo que mais consome venenos em sua agricultura. Superamos, em quantidade de agrotóxicos venenosos utilizados, todos os outros países do mundo.
Tendo em vista que o papel da Anvisa é garantir a qualidade dos produtos disponíveis aos brasileiros, verificando a segurança no uso desses produtos, como a agência pode se defender das críticas mencionadas? Para autorizar o uso destes venenos em solo nacional, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária se baseia em estudos pseudo-científicos que foram financiados por indústrias dos ramos farmacêutico e do agronegócio. Para se ter uma idéia, a venda de venenos agrícolas no Brasil movimentou mais de 110 bilhões de reais em 2025, com destaque para o Glifosato como principal veneno comercializado. O cenário é ainda mais crítico quando consideramos que a maior parte desse custo é financiado pelos investimentos públicos do governo nos setores do agronegócio.
O lucro proveniente da devastação de nossas riquezas naturais é escoado para as empresas de fertilizante e agrotóxicos que operam no Brasil com a parceria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Nos aprofundando no caso do Glifosato, esse veneno foi criado pela Monsanto, empresa de produção de agrotóxicos com histórico de envenenamento e assasinato de milhares de pessoas ao redor do mundo. A Monsanto se fundiu com a empresa farmacêutica Bayer, se tornando duas faces da mesma moeda, recebendo os lucros na venda do veneno que produz a doença e na venda do remédio. A utilização e regulamentação do Glifosato no Brasil e no mundo foi baseada em artigos publicados há mais de duas décadas. Recentemente, foi revelado que os estudos sobre o Glifosato tiveram a participação oculta dos desenvolvedores da empresa da Monsanto. Esses estudos perderam sua legitimidade e são considerados inválidos devido ao comprometimento da imparcialidade do método científico aplicado.
É nesse contexto que chega ao Brasil a Maconha Medicinal, uma substância natural com histórico de uso seguro registrado há cinco mil anos na cultura escrita dos seres humanos e um histórico de uso estimado em mais de cem mil anos. A maconha acompanha os seres humanos desde os primórdios de sua existência como uma aliada no tratamento de doenças, na alimentação e na construção de casas e ferramentas. A Erva da Maconha foi vítima de uma das maiores contradições da história humana, pois foi proibida e banida de nossa sociedade durante séculos. O mesmo governo, a mesma metrópole, o sistema colonial permitiu, operou e desenvolveu a escravidão forçada e tortura continuada dos povos pretos afrikanos.
A Maconha é sabidamente uma planta amplamente reconhecida e utilizada em Afrika, com raízes Orientais vinculada aos povos beduínos e a outros povos do deserto como os Tuareg.
Da mesma forma que o governo colonial temia a revolta dos pretos escravizados, com receio de que pudessem atingir a liberdade com as próprias mãos, os governantes também temiam toda prática cultural ancestral que trazia força aos escravizados. A maconha é uma erva sagrada que faz parte de ritos espirituais dos povos de Afrika. Aqui no Brasil, a maconha integrou os ritos espirituais afroindígenas em religiões como a Jurema Preta, o Candomblé e o Santo Daime. O conhecimento original, afroindígena, nutriu o povo brasileiro desde sua origem. A influência da Erva é revelada em manifestações culturais como a capoeira, o carnaval, o samba e muitas outras raízes culturais do Brasil.
Foi nesse contexto que a maconha foi perseguida e proibida, assim como a capoeira, o candomblé, o vodoo e dezenas de outras práticas da cultura Afrikana. Foi a ação das elites governantes que ao perseguir e proibir a Erva medicinal gerou um espaço de não regulamentação que veio dar origem aos problemas de segurança pública e criminalidade que sofremos hoje no Brasil. As políticas coloniais vigoram no nosso país dentro das decisões dos tribunais e de seus julgadores, que perpetuam as regras de opressão da população preta brasileira. A Maconha Medicinal representa um paradigma social para o Brasil.
Dado a forma de atuação da Anvisa,será ela capaz de lidar com o elaborado contexto da Maconha Medicinal no Brasil?
Com amor,
Flor do Amor! 🌿💚🌞
Texto e Arte: Pedro Badu
Revisão: Alexandra Joffily